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Rio Sou Francisco

O versador de líquidos

Por Beatriz Bajo*

rio sou francisco foi o livro inspirador à criação da Rubra Cartoneira Editorial, que institui o fenômeno “cartoneirismo” no estado do Paraná. cartonerismo é um termo advindo da iniciativa de algumas editoras utilizarem papelão para a confecção das capas de livros, nascido em consequência da crise argentina de 2002, que culminou com a criação da Eloisa Cartonera e outras editoras, espalhando-se pela América Latina e atingindo alguns países da Europa, como Espanha e Alemanha. rio sou francisco, então, inaugura o selo com outros autores eleitos pelo amor.

depois de ler Cantáteis: cantos elegíacos de amozade, fiquei assombrada com o talento poético de Chico César. seu primeiro livro merece ser lido e relido, haja vista que o poeta constrói uma rapsódia em cordel com versos enfeitiçados  e  desdobrados em belíssimas imagens.
sete anos depois, seus poemas tornam-se cordas feitas com tendões inflamados pelo arco tensionado a cada flechacesa disparada nos olhos bem abertos do leitor. lira rica que compõe laços, enrosca-se em nós, acorda cidades e embala casas no colo silencioso de cada poema constelado no “céu de solua”.

Chico fabrica uma poesia atrevida, vigorosa, em que as palavras dançam no ritmo endiabrado de seu resfôlego…mas conhecem o momento de estancar e permanecem no seio encantado da cara literatura.

com a língua rara da poesia, o autor lambe versos que vão aguando os botões  floridos  das  palavras  aladas,  desabotoando escuridões…e, assim, bebemos a água doce do rio que é o Chico.

A ENERGIA DA HARMONIA

Por Marcelo Ariel**

Poesia e música se entrelaçam e se encontram dentro da energia do silêncio, fonte e destino de toda a música do mundo e força ampliadora dos sentidos de todos os poemas. Chico e Francisco se abraçam dentro dessa energia, talvez a poesia seja uma maneira de converter a energia da memória, matriz de todos os sonhos em música, um tipo de música que é uma fusão de todos os silêncios que atravessam nossas vidas: a interior e a exterior.

Chico e Francisco dialogam dentro desse livro com o silêncio e os silêncios, a música e as músicas, dialogam e se abraçam como um rio abraça o mar, o menino e todo poeta é em essência um menino antigo e o homem, todo músico é no fundo o destino-devir interior do fator humano.

Chico e Francisco aqui se encontram unidos para sempre porque a poesia ao conferir um sentido maior para o silêncio e os silêncios, para a música e as músicas, se confunde com a vida.

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*Beatriz Bajo é poeta, editora-geral da Rubra Cartoneira Editorial, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa e literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ). Seus livros são a face do fogo (SP, 2010), : a palavra é (PR, 2010) e  domingos em nós (PR, 2012).  Mantém o blogue Linda Graal (http://lindagraal.blogspot.com/).

**Marcelo Ariel é poeta, conselheiro editorial da Rubra Cartoneira, dramaturgo e performer. Seus livros são Me enterrem com a minha Ar-15 (Scherzo-Rajada) (SP, 2007); Tratado dos Anjos Afogados (SP, 2008), O céu no fundo do mar (SP, 2009), Coltrane Blues (SP, 2010), Conversas com Emily Dickinson e outros poemas (RJ, 2010), A morte de Herberto Helder e outros poemas (SP, 2011), A segunda morte de Herberto Helder (PR, 2011) e Cosmogramas (PR, 2012). Mantém o blogue http://teatrofantasma.blogspot.com/.

Aos vivos

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